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Dólar sobe 9,2% contra o real desde 23/10 e só 0,5% contra o mundo, mostra o DXY

A PTAX foi de R$ 5,0377 a R$ 5,5013 entre 23/10 e 6/11 (+9,2%), mas o DXY subiu só 0,5%, de 101,81 a 102,30. A alta sobre o real foi quase toda local.

Entre 23 de outubro e 6 de novembro de 2026, a PTAX de venda foi de R$ 5,0377 para R$ 5,5013, alta de 9,2%, enquanto o DXY, índice que mede o dólar contra seis moedas fortes, foi de 101,81 para 102,30, alta de 0,5%. A força global do dólar explica uma fração pequena do salto sobre o real.

Quanto do salto do dólar vem do mundo e quanto vem do Brasil?

A maior parte veio do Brasil. O DXY compara o dólar com euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço, e não inclui o real. Na tabela, o dia 26 de outubro, primeiro pregão depois do segundo turno de 25 de outubro, mostra o descolamento: a PTAX subiu 9,2% e o DXY, 0,15%.

Data PTAX de venda (R$) DXY
23 de outubro 5,0377 101,81
26 de outubro 5,5007 101,96
30 de outubro 5,4212 101,88
6 de novembro 5,5013 102,30

Os números do DXY são de Investing.com; a Trading Economics mostra 102,298 em 6 de novembro, praticamente igual. As PTAX vêm da API do Banco Central.

O que o DXY fez em 6 de novembro?

O DXY subiu 0,74% em 6 de novembro, de 101,55 para 102,30, no dia em que o Bureau of Labor Statistics informou 165 mil vagas criadas em outubro, mais que o dobro dos 65 mil previstos, e desemprego de 4,1%. O mercado passou a ver cerca de 77% de chance de alta de juros nos EUA na reunião de 8 e 9 de dezembro, segundo a CME, citada pela CNBC. Juros mais altos tendem a atrair dinheiro para o dólar.

Em 12 meses, o DXY sobe 2,71%, segundo a Trading Economics. Para comparar: a PTAX de 2 de janeiro de 2026 era R$ 5,4372, e a de 6 de novembro, R$ 5,5013, alta de 1,2% no ano. Em relação à mínima do ano, R$ 4,8973 em 11 de maio, a alta da PTAX é de 12,3%.

O que isso muda para quem tem dólar no exterior?

Quem tinha US$ 10 mil em uma conta nos Estados Unidos viu o saldo ir de R$ 50.377 em 23 de outubro para R$ 55.013 em 6 de novembro, R$ 4.636 a mais, sem o ativo se mexer. A mesma conta com o DXY como régua daria R$ 50.620, só R$ 243 a mais. A diferença, R$ 4.393, é a parte da alta que o DXY não explica.

Quem faz o caminho inverso, convertendo reais, pagou caro: R$ 10 mil compravam US$ 1.985 em 23 de outubro e US$ 1.818 em 6 de novembro, 8,4% a menos. A PTAX de 6 de novembro é a maior de 2026. Em relação à mínima do ano, US$ 1.000 passaram de R$ 4.897 para R$ 5.501, R$ 604 a mais.

O dado separa dois movimentos que costumam aparecer misturados nas manchetes. Um é o dólar forte no mundo, que afeta todas as moedas e puxa para cima o custo de importar. Outro é o risco-país, que afeta só o real. Em duas semanas, o primeiro respondeu por cerca de um vigésimo da alta contra o real.

Fontes: Investing.com, histórico do DXY; Trading Economics; API PTAX do Banco Central; CNBC, 6/11/2026.

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